Entrevista com Marcelo Costa

marcelo

Marcelo Costa é jornalista, crítico musical e edita o fanzine eletrônico Scream & Yell.

O site Scream & Yell está há 16 anos no ar, mas antes de se estabelecer na internet era um fanzine de papel que circulava pelo interior de São Paulo. Assim como na era do papel, o site traz textos sobre música, quadrinhos, cinema, entre outros assuntos da cultura pop. Nesta entrevista, Marcelo Costa fala um pouco sobre sua experiência como fundador e editor da página, da crítica musical brasileira feita atualmente e o papel dos críticos amadores.

 

Ítalo Richard – As pessoas que escrevem para o site Scream & Yell são jornalistas?

Marcelo Costa – Existem jornalistas, estudantes de jornalismo e não jornalistas escrevendo para o site, mas ser ou não ser jornalista não é uma prerrogativa: a qualidade do texto vem antes.

Í. R – A página cobre o universo da cultura pop, desde quadrinhos a lançamentos musicais. Como surgiu a ideia de criar um site que trate da cultura pop? Qual é o objetivo?

M. C – O Scream& Yell surgiu numa cidade do Vale do Paraíba, no meio dos anos 90, com o intuito de dar vazão à cena local. Com o tempo começamos a ampliar o leque para falar de coisas que achávamos importante, e que os grandes veículos na época negavam espaço. Hoje desejamos aprofundar coisas que os jornais dão apenas superficialmente.

Í. R –  Quais critérios são usados para escolher o produto cultural que terá destaque na página?

M. C – As entrevistas exclusivas, reportagens e análises especiais e aprofundadas saltam a frente na hora de pensar os destaques.

Í. R – Qual a média de acessos que a página tem por dia?

M. C – A média diária é 3 mil com rápidos picos com reportagens especiais. O especial de Melhores do Ano, por exemplo, elevou esse número para 14 mil no dia de seu lançamento.

Í. R – O site possui contas no Facebook, Twitter e Instagram. Por que vocês consideram importante estar presente em outras redes sociais?

M. C – Porque são ferramentas que se aproximam do leitor sem agredi-lo, por exemplo, com spam. Ao seguir as contas do Scream & Yell nessas redes, o leitor mostra que está interessado nas novidades do site, e na repercussão que damos para o conteúdo de outras publicações.

Í. R – Como o senhor observa o atual cenário da crítica musical?

M. C – Pífio. Todo mundo passa a mão na cabeça de todo mundo, baba ovo, elogia desmedidamente. Anda em falta crítica na crítica musical atual.

Í. R – Qual a função e importância do crítico musical na atualidade, uma vez que internet facilitou o acesso a uma infinidade de músicas e o próprio consumidor pode fazer suas escolhas e suas críticas?

M. C – Acontece que o consumidor não vive apenas de consumir música, ele tem seu trabalho diário, suas rotinas, seus desejos. A infinidade de coisas que cai na internet lhe dá uma liberdade de escolha imensa, mas o que ouvir? Dai entra o crítico no mundo de hoje, como um curador, na função de exibir o conteúdo relevante em meio ao material infinito de lançamentos.

Í. R – Existem blogs e sites, muito deles amadores, que se propõe a fazer crítica musical. Qual a sua opinião sobre esses blogs e críticos amadores?

M. C – Quanto mais se discute, se escreve e se pensa cultura melhor. Da crítica mais rasteira ao texto mais aprofundado, discutir cultura é importante.

Í. R – Quais características, na sua opinião, são importantes para que uma pessoa se denomine crítico musical?

M. C – A crítica é um exercício de argumentação, e para argumentar é preciso ter ferramentas, um certo conhecimento geral que vai além de música. É preciso olhar o mundo, entender o espaço tempo e pensar criticamente porque determinada música faz sucesso e outra não, como tal livro, filme, disco se encaixa no mundo atual, como reflexo de seu criador diante do universo. Ou seja, é preciso tatear o mundo moderno. Sabendo fazer isso é meio caminho andado.

Í. R – Existe diferença entre a crítica feita nos meios tradicionais (jornais e revistas) e a feita na internet? Nesse caso, o meio interfere na crítica?

M. C – Necessariamente não, ainda que o meio possa influenciar dependendo do patrocinador.

Í. R – O que a internet trouxe de novidade para a crítica?

M. C – Espaço. Uma coisa é escrever uma crítica em 1500 toques, a outra é ter 15 mil toques disponíveis. Claro que isso abre o precedente do exagero, mas nada que uma boa edição não resolve.

Í. R.  O que o senhor acha sobre os comentários dos leitores, uma vez que eles também podem se posicionar criticamente?

M. C – Importantíssimo. Já segui outra linha de opinião após um comentário muito bem argumentado de um leitor. Além disso, ele é um reflexo da crítica em relação ao objeto. Ou seja, se a arte é o reflexo da criação do artista em determinando momento da história da humanidade, a crítica é a análise deste momento e o olhar do leitor é a análise da análise do crítico. Pode sair coisa bem interessante dessa equação toda.

 

*Entrevista realizada por e-mail, no dia 17 de fevereiro de 2016.
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